Salut
por Valéria Pilon

Vinhos, rolhas e roscas

Primeiro vamos acabar com um mito - a rolha (cortiça) não está em extinção. O Sobreiro (Quercus Suber), árvore que produz a cortiça, típico da região da bacia do Mediterrâneo é abundante, sobretudo em Portugal que destaca-se como o país com maior plantação e exploração da cortiça. O que está inviabilizando a fabricação das rolhas é o preço da mão de obra para a colheita (ninguém mais quer fazer trabalho braçal) e o processo pelo qual a cortiça passa até chegar ao ponto de receber o formato de rolha. Após a colheita da casca o Sobreiro leva 8 anos para produzir uma nova casca, o preparo para que a cortiça chegue ao ponto de receber o formato de rolha leva mais 2 anos.
A solução para este problema está gerando uma das maiores polêmicas do mundo vitivinicola, a tampa de rosca ou screwcap, em inglês, é a mais cotada para a substituição. Produtores de todo o mundo, desde os pioneiros neozelandeses e australianos até os tradicionalistas franceses estão substituindo com plena confiança as tradicionais rolhas de cortiça pelas tampinhas metálicas de girar.
Mas o que as tampas de rosca possuem de tão importante que tantos produtores optam por substituir o charme das antigas rolhas por tampinhas metálicas?
1. Em primeiro lugar: elas não afetam o vinho. As rolhas, elaboradas com a casca do sobreiro, estão sujeitas a fungos e contaminações que podem modificar diretamente o vinho.
2. Não estão sujeitas a movimento. Por serem seladas com alta-pressão, mudanças de temperatura e pressão interna da garrafa não permitem a entrada de oxigênio nas garrafas. O isolamento é completo, impedindo a oxidação prematura do vinho.
3. O preço. Uma rolha elaborada com cortiça de boa qualidade e que passa por todos os processos de preparação pode custar até 10 dólares. As tampas de rosca custam poucos centavos.
Com isso, é melhor nos acostumarmos com a mudança, pois apenas os grandes vinhos, os mais caros, continuarão utilizar as rolhas de cortiça. Não teremos escapatória: cada vez mais vinhos, de diferentes níveis de qualidade utilizarão as novas, seguras, menos românticas e até menos estéticas tampas de rosca.
Vamos acabar com o preconceito. Lembrando que toda vez que comprarmos um vinho com essas novas tampas, em primeiro lugar estaremos pagando o vinho e não a embalagem. Segundo, sabemos que o vinho está mais protegido contra os defeitos que alteram o seu sabor e sua qualidade. E, finalmente, viva a modernidade!

Salut! Sommelier - Valéria Pilon

 



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